sexta-feira, 10 de maio de 2013

HOMEM COM VERGONHA DE SER HOMEM


Outro dia caiu na pagina inicial de meu facebook, um link do blog do Leonardo Sakamoto, com o titulo: Relatos para quem acha que mulheres na balada são como carne no açougue http://migre.me/eunYU . Curto o Sakamoto a muito tempo. Leio todos os seus posts, admiro como ele trabalha temas cotidianos e os analisa a luz dos direitos humanos. Seu blog, esta no portal UOL. Seus textos são lúcidos, tem partido, tem lado e ao mesmo tempo não se fecha para o debate com o diferente e divergente. E aí ao clicar no link vindo do mundo facebookiano, fiquei chocado ao ler o texto acima.

O titulo do post é chupado das conclusões do Sakamoto. A motivação do texto se deu, em função das dezenas de e-mails que o bloqueiro recebeu, onde mulheres contam como são molestadas nas chamadas baladas noturnas pelos homens. O assédio sexual acompanhado de violência estupida e gratuita, acontece com frequência, em lugares considerados de luxo e “seguros”. Boates e casas de espetáculos em que as elites decantam como os point do momento, Homens destilam sua “masculinidade” de forma rasteira e nojenta.

Fiquei a refletir sobre o texto e recuperei na memória comportamentos de seres de meu sexo, com o sexo oposto. Outro dia presenciei um casal, que o macho aos berros humilhava a femêa, exatamente porque a mesma (segundo ele), falava besteiras de mais á mesa do restaurante onde estavam (eu Também). Certa vez um pirralho recém casado, se confraternizava com amigos em uma casa de um deles. Jogavam baralho, os machos e as respectivas mulheres cada uma posicionada ao lado de seus esposos (ou donos). De repente o pirralho, nada mais do que vinte anos de idade, embala um papo, do tipo, minha mulher só serve mesmo para meter comigo, cozinha mal, é uma burra, não sabe nada. A esposa igualmente com uns vinte anos, de cabeça baixa e as demais e os machos é claro rindo da coitada.

É comum na sociedade ainda ouvirmos que a estrutura familiar se define nos lugares de uma mesa de refeição. Na ponta o macho, do lado esquerdo a fêmea, do lado direito o filho macho e do lado esquerdo colada a mãe a filha mochinha. Os machos são servidos pelas mulheres, só tocam na comida, quando ela esta toda depositada no prato. Se quer recolhem seus pratos depois de comer. Parece brincadeira, mas esta estrutura ainda existe em muitos lares Brasileiros. E é cultural, passa de pai para filho, de mãe para filha Se o Pai desrespeita a mãe, o filhinho macho se acha no direito de fazer o mesmo com a irmã, namoradas e esposas.

Vejo, ouço e leio cada coisa. O menino proíbe sua namorada de ter perfil do facebook. Ambos tem dezessete anos, mal saíram das fraldas. O motivo, é bem simples, mulher minha não fica exposta para homem nenhum ver fotos ou conversar com ela. E aí dela se desobedecer. O xingamento sua puta, é mais o bonito que se ouve. Não é ciúmes não, é machismo. Outra comum, ainda namorando ou se pegando como se fala hoje, o machinho e a fêmea também fazem questão de dizer que são casados. E olha se deixar vivem a rotina de casais que entraram na roda viva do machismo.

Sakamoto, em seu brilhante texto orienta as mulheres, a denunciar estes assédios e humilhações, pois é crime. Ninguém é dono de ninguém. Ninguém pode achar que por ter um pênis, tem o poder sobre o outro alguém, principalmente se for mulher. A denuncia á autoridades, como no caso de violência física deve ser feita na DDM (Delegacia de defesa da Mulher). Nos outros casos, tenho comigo que é preciso criar mecanismos públicos de debates e iniciativas, acerca de novos conceitos de relação humana, que considerem os seres humanos com direitos, entre eles o do respeito e de combate a praticas violentas. Uma concepção de não achar natural, um Homem bolinar uma mulher ou agredi-la, inclusive verbalmente.

Não quero ter vergonha de ser Homem. Quero ter orgulho de ver um Homem respeitar uma mulher.

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