domingo, 10 de fevereiro de 2013

A ARTE DE BRINCAR E FAZER RIR


Fui uma pessoa privilegiada em minha infância. Ou melhor minha geração o foi. Primeiro porque pudemos conhecer a magia do circo e toda a sua capacidade de fazer uma criança dar asas a imaginação. Foi através de companhias como Circo de Roma, Orlando Orfei, Di Napoli e até os pequenos e criativos, como o Limeirense Circo do Veneno é que tive meu contato com um personagem que fazia Rir, mesmo quando sua performance era de chorar. O Palhaço. Aquele cara que abria ou fechava o espetáculo. Sua maquiagem colorida no rosto, escondia seu dono, mas revelava uma identidade da traquinagem típica de um garoto. A arte de aprontar, de fazer travessuras, não com maldades, mas para brincar, é a essência do Palhaço.

Segundo que pude já cedo ter um outro contato com esta maravilha. A televisão me proporcionou ao lado de filmes e desenhos da Hanna Barbera, o contato com programas infantis, que tinham como protagonistas, o Palhaço. O Brasil foi e ainda é um celeiro destes artistas. Pude conviver com verdadeiras lendas vivas deste imaginário da criança. Carequinha, Piolin, Torresmo e muitos outros. Mas um em particular, destaco: ARRELIA. O palhaço era um encanto, sua habilidade em fazer um garoto sorrir era inimaginável. O personagem era doce, vindo mesmo da vontade dos Deuses do Universo. E era real ao mesmo tempo. Chorei muito quando este amigão foi para o céu (ou Olimpo).

Esta figura milenar, tão incompreendida e achincalhada por adultos nos dias de hoje e de antigamente, tem uma origem linda. A expressão vem do Latim Pagliaccio ou Ommo de Paglia, o Homem de Palha ou ainda Homem do Campo. Oriundo da Idade Média, teve seu antecessor o Bobo da Corte, que apesar do termo pejorativo, tinha o objetivo de alegrar as cortes dos Reis e Rainhas.  O Pagliaccio é uma invenção dos pobres, em especial das populações rurais. Ele representa os anseios e desejos humanos, bem como coloca a nu as fragilidades do ser humano. Chapin e seu hilário Carlitos representou na era do cinema mudo, a versão moderna do Homem de Palha do Feudalismo e do Renascimento.

Carlitos não escondia seu inconformismo com as injustiças sociais. Seu personagem era pobre de maré jesi. Suas lutas tinham como inimigos os proprietários de indústria e comercio. Não era a toa que a policia sempre o perseguia. O Palhaço Carlitos, era solidário com os que sofriam, principalmente crianças. No filme O Garoto, sua proteção a um menino abandonado pelos pais e condenado a um orfanato parecido com as Febens de antigamente, mostra uma das qualidades do Palhaço.

Nestes dias de Carnaval, outra questão que deve ser melhor compreendida, passo a entender melhor a função e a existência deste ícone de nossa Arte. O Palhaço é um artista das ruas, não é um elemento para denegrir a imagem ou caracterizar o caráter de uma pessoa. Fazer pilheria com alguém o taxando de palhaço, e estar cometendo um crime a um personagem que constroem o bem. Há tempos tenho retirado de meu vocábulo, para uso de xingamento esta expressão. Um ser que produz alegria e esperança a uma criança, não pode ser sinônimo de enrolação, enganação, mentiras.

Não assisti (preciso), o segundo críticos e que viu o belo o Palhaço de Selton Mello, com ele e Paulo José. A História de um Jovem de circo que desiste de ser Palhaço e tem em seu Pai um velho fazedor de riso um espelho para não abandonar a arte de fantasia e do real. Ser Palhaço é dar boas vindas a criança é apresentar a ela o sentido da vida.

Este texto é uma Homenagem a este personagem que embalou a minha infância e embala a infância de meu neto (Eu já apresentei o Arrelia a ele). Em particular dedico estas linhas ao grupo Cirurgiões da Alegria e ao Vereador e Presidente da Câmara Ronei Martins, que com seu Palhaço diverte e leva esperanças á crianças vitimadas por doenças muitas delas graves nos Hospitais da cidade.

Para terminar o Bordão repetido até hoje do consagrado Arrelia: “Como vai? Como vai? Como vai? Como vai? Como vai, vai, vai? Eu vou bem! Eu vou bem! Eu vou bem! “


2 comentários:

  1. Parabéns pelo Blog e aproveitando que saudade dos palhaços acima citados. Bons tempos de inocência, a propósito: Eu vou bem,muito bem bem bem.
    Abraços
    Rodolpho

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  2. Temos vários caminhos que nos levam a aprendizagem. O palhaço é, antes de tudo, um esteriótipo daquilo que gostaríamos de ser. Uma pessoa que faz o bem e ainda tem tempo para ser feliz. Boa a sua reflexão, sobre o "ser palhaço". Esse termo deveria ser mais respeitado. Parabéns!

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